Do outro lado da praia.

 

Lá do outro lado da praia, há lugares no mundo em que ser político não é uma profissão, é um dever cívico de homens capazes. Há grandes metrópoles em que os meios de comunicações podem fazer edições completas só de boas notícias. Há países inteiros com oportunidades tanto para seus cidadãos quanto para os estrangeiros que procuram uma vida melhor. Diversas das doenças evitáveis com um bom saneamento estão erradicadas, e a saúde pública funciona na maioria dos hospitais. Há capitais em que as casas ainda dormem com as portas abertas e bairros onde as famílias ficam tranqüilas deixando seus filhos brincarem nas ruas. Lugares em que os moradores de ruas são clássicos homens de barba que profetizam sobre política, moral e religião enquanto alimentam os pombos.

Essa diferença para a nossa realidade não é um acaso. Não é fruto de posicionamento geográfico, muito menos conseqüência de riqueza natural. É o reflexo de uma evolução histórica gerada pelo motor de todas as mudanças sociais: a força popular. Os mais importantes ganhos para tal conjuntura evolutiva democrática foram sempre conquistados pela iniciativa das classes, seja o radicalismo estudantil, a contracultura rebelde, a extrema direita liberal, a militância operária ou até mesmo o moderno movimento feminista. Mas sempre, ontem e sobretudo hoje, o povo.

Nosso hábito de abrir um jornal e achar normal ler notícias que revelam uma situação caótica é o maior mal do terceiro mundo. Estar acostumado a viver em paz com políticos medíocres, serviços públicos ao descaso, conturbação urbana, segregação e tanta violência descontrolada, não é um estado de satisfação, muito menos uma virtude. As principais mudanças políticas e sociais só aconteceram e só acontecerão, em toda a história, pela motivação popular e a participação ativa dos cidadãos. É exatamente essa nossa acomodação que faz com que as coisas não evoluam no país mais rico, deslumbrante e maravilhoso do mundo.

Uma mudança social, vinda de uma população consciente, deve passar por dois níveis. O primeiro é a perplexidade e a negação. O segundo é protesto e o ativismo. E aí, quando um povo consegue gerir seus próprios anseios e exigir suas necessidades as coisas começam a melhorar… Ser terceiro mundo é aceitar ser chamado de terceiro mundo. Comece a mudança agora: revolte-se contra essa bagunça! Mude sua postura passiva. A solução para os problemas do seu bairro, da sua cidade, do seu estado e do se país é você. Busque educação, conheça seus direitos, preste seus deveres. Não seja mais um telespectador do caos, entenda que você é a causa e a solução do problema.

Seja Brasil!

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6 Responses to “Do outro lado da praia.”

  1. DEUS EH BRASILEIROOOOOO

  2. Muito bom.
    Mais triste porém, é perceber como esse ‘comodismo’ é culturalmente presente em nosso país desde o começo. E é engraçado como não percebemos que a mudança da situação da qual tanto reclamamos está em nossas mãos, como somos compelidos pelos nossos próprios pensamentos e modo de vida a continuarmos abrindo o jornal toda a manhã e blasfemando os políticos nos quais votamos. Mas claro, assim é muito mais fácil. O grande problema é que esse nosso modo de viver vai acabar nos levando a serviços públicos mais falhos e políticos cada vez mais corruptos, e assim vivemos no país do futuro…

  3. Obrigado pela tentativa de alertar as pessoas, através desse excelente texto

  4. Só me diz mesmo onde fica o outro lado da praia que eu bem que queria ter lá qualquer dia…

  5. Exelente texto,
    Correndo perigo de parecer irônico, as pessoas culpam Deus, por seus atos de covardia e conformismo, é hora de mudar de parar de aceitar que as crianças saiam da quarta série analfabertos funcionais, de que é preciso pagar um convênio médico para poder desfrutar de um atendimento hospitalar minimamente digno à um ser humano, é necessario que cada um de nós olhe no espenho e perceba quanto é mediocre sua briga para que o clube de futebol contrate esse ou aquele jogador, existem outras coisas mais importantes e maiores e não temos tempo para perder com essas mediocridades.

  6. No dia em que cada comentário nosso não for só escrito, mas reinvindicado da maneira certa, conversando, propondo, reclamando e esses serem devidamente ouvidos, debatidos argumentados, aí sim a mudança acontecerá.
    Mas quem reclama? E quem escuta?
    Ou melhor: Quem quer reclamar? E quem quer escutar?

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