A semiótica do governo: o enta e a presidenta.

Não todos, mas alguns devem se lembrar da campanha do “três” promovida, há alguns meses, pelo Banco do Brasil: uma proposta para que você fizesse, diariamente, ações em prol do meio ambiente. Até aí tudo bem, já que a sustentabilidade é um dos temas mais atuais e discutidos em todo o mundo. Mas, no vídeo, o número 3 era constantemente repetido, vinculado como garantia de segurança e a solução para todos os problemas. Na época, estavamos no auge do debate sobre um terceiro mandato para o presidente Luíz Inácio. A propaganda dizia: “em todo lugar que você vir esse número, vai saber que ali existe uma forma de você tomar uma decisão para cuidar do planeta, das pessoas e do país em que a gente vive: três”.

A psicologia chama de mensagem subliminar informações dificilmente percebidas e aparentemente não importantes, mas que são absorvidas e influenciam diretamente o inconsciente coletivo. Essa publicidade, financiada com recurso público, foi alvo de diversas críticas pela imprensa, pela oposição e pela própria população. O bombardeio à repetição sucessiva do “três” fez com que o Banco do Brasil retirasse do ar a propaganda com a promessa de explicações, que nunca foram dadas.

Neste mês de Dezembro, a mesma empresa de propaganda Master lançou uma nova peça para a campanha do “enta”, que estimula a terceira idade a utilizar o preservativo. Ótimo incentivo e, mais uma vez, um assunto muito atual. Entretanto, no final do vídeo, um dos velhinhos recebe uma ligação da “presidenta”, o que pode ser interpretado como uma referência a Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil e principal nome para a sucessão de Lula.

Mais uma vez, com a utilização do dinheiro público, uma campanha publicitária do governo divulga – ou pelo menos sugere – um terceiro mandato para o governo petista, que no início de sua história lutava por idoneidade na gestão dos recursos públicos, transparência política e democracia.

Acredito que quando as críticas começarem a aparecer sobre a campanha do “enta”, novamente dirão que tudo é mera coincidência e prometerão justificativas, até a propaganda sair do ar, quando já tiver sido assistida pela população, que, como sempre, se lamENTA, aguENTA e sustENTA essa gestão fraudulENTA.

3 Responses to “A semiótica do governo: o enta e a presidenta.”

  1. Parabéns pelo esclarecimento social das mensagens subliminares emanadas por quem acredita que eres O Senhor, pois só sendo Deus para achar que pode tudo, e que ninguém dar-se-á conta!

  2. vc tem muuuuuuuuito tempo livre pra pensar sobre essas coisas e escrever isso num blog, to certo?????

  3. É o mesmo que dizer que a nova propaganda Coca Cola incentiva a masturbação.

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